Rainha Elizabeth quis devolver título real de Diana após morte da princesa, afirma irmão
Conde Spencer diz que recusou proposta para restaurar tratamento de Alteza Real por considerar que seria um 'prêmio de consolação'
A rainha Elizabeth II (1926-2022) teria tentado restaurar o título de Alteza Real de Diana após a morte da princesa, de acordo com o relato de seu irmão, o conde Spencer.
Charles Spencer afirmou que a proposta foi transmitida por Robert Fellowes, secretário particular da então monarca, enquanto ele viajava no trem real rumo a Althorp, propriedade da família Spencer em Northamptonshire, na Inglaterra, para o sepultamento de Diana, em 1997.
Segundo o relato, a oferta era devolver a Diana o tratamento de Sua Alteza Real (HRH, na sigla em inglês), retirado após o divórcio da princesa com Charles, então príncipe de Gales, em 1996.
Spencer alega que decidiu rejeitar a proposta por considerar que a devolução do título após a morte da irmã seria uma espécie de "prêmio de consolação". O relato faz parte de seu novo livro, "Canto do cisne: Diana, minha irmã", disponibilizado pelo jornal britânico Daily Mail.
Na obra, o conde escreveu que Diana ficou "inacreditavelmente magoada" com a retirada do título, que considerava uma decisão "rancorosa e vingativa". Segundo ele, o gesto da rainha foi bem-intencionado, mas não representava o reconhecimento que Diana teria desejado em vida.
"Eu senti, em cada osso do meu corpo, que sabia como ela veria essa homenagem póstuma. É muito gentil da parte da rainha, claro. Mas qual é o sentido, Robert? Agora é tarde. Diana está morta."
Diana faleceu aos 36 anos em um acidente de carro em Paris, na França, em agosto de 1997, um ano após perder o tratamento de Alteza Real. A mudança ocorreu um dia depois da conclusão oficial do divórcio com Charles, em agosto de 1996. Após a separação, Diana manteve o título de princesa de Gales.
Diana recebeu um funeral cerimonial completo, nos moldes de uma cerimônia de Estado, antes de ser sepultada de forma privada em Althorp. A rainha Elizabeth II, por sua vez, morreu em 2022.
As novas revelações de Spencer foram publicadas apenas um dia após o rei Charles III se manifestar sobre as declarações feitas pelo ex-cunhado no mesmo livro. Na quinta-feira (17), o Palácio de Buckingham contestou um relato sobre uma suposta conversa entre os dois nos dias seguintes à morte de Diana.
Em uma rara manifestação pública, um porta-voz do monarca britânico declarou: "Embora não comentemos livros como uma questão de princípio, Sua Majestade está ciente de que a dor do luto fraterno pode obscurecer a razão, comprometer a avaliação e distorcer as lembranças de maneiras que podem torná-las diferentes da percepção de outras pessoas, mesmo muitos anos após uma perda."
No livro, Spencer afirma que ele e Charles tiveram uma discussão sobre a decisão de permitir que os príncipes William e Harry, então com 15 e 12 anos, respectivamente, caminhassem atrás do caixão da mãe durante o cortejo fúnebre.
Segundo o trecho, Charles teria argumentado que havia participado do cortejo pelo funeral de seu tio-avô Lord Mountbatten, em 1979. Spencer, então, teria respondido que o príncipe tinha 30 anos na ocasião - que não era comparável à morte de uma mãe -, enquanto William e Harry ainda eram adolescentes. O conde afirmou que a observação teria feito Charles "perder as estribeiras".
Spencer escreveu: "Príncipe Charles continuou sua crise de raiva, sem que eu o interrompesse. Então ele parou. Presumi que a pausa indicava uma tentativa de retomar o controle, mas então ele revelou ao telefone o que sempre interpretei como seu desdém reprimido por Diana e seu horror de que o mundo estivesse tão abalado com a morte dela. 'Tenha certeza', ele sibilou, 'nós vamos esquecê-la em breve!'"
Uma fonte próxima ao rei afirmou ao jornal The Telegraph que a frase atribuída a Charles "simplesmente não condiz com sua natureza" e que "certamente não condizia com sua natureza naquele momento, quando ele era um homem absolutamente devastado pelo luto".
Segundo o informante, Charles ficou "paralisado pela dor" após a morte da ex-mulher e contrariou protocolos ao defender que Diana recebesse um funeral cerimonial completo. A fonte também afirmou que ele determinou que o caixão da princesa fosse coberto pelo estandarte real durante o retorno de Paris para Londres.
O livro será lançado no próximo dia 22 de setembro.