Além do sucesso no Grammy, Bad Bunny faz história na indústria da música
O cantor levou o prêmio de Álbum do Ano por ‘DeBÍ TiRAR MáS FOToS’, primeiro disco inteiramente em espanhol a ganhar na categoria
Bad Bunny, de 31 anos, tornou-se o primeiro artista a ganhar o prêmio de Álbum do Ano no Grammy Awards com um trabalho inteiramente em espanhol. O momento foi histórico não apenas para a carreira do cantor, mas também para a música latina.
O artista porto-riquenho, no entanto, já vinha fazendo história na indústria musical muito antes desse marco.
O álbum vencedor, “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”, é o projeto mais pessoal e intenso de sua carreira. Bad Bunny, cujo nome verdadeiro é Benito Ocasio, foi corajoso o suficiente para lançar um álbum altamente político em um momento em que a comunidade latino-americana enfrenta tempos difíceis em meio às políticas anti-imigração nos Estados Unidos.
Com esse lançamento, ele abraçou plenamente sua identidade latina e celebrou Porto Rico, ao mesmo tempo em que desafiou a definição de “América” como sinônimo de Estados Unidos. Benito, em vez disso, resgata o significado real da palavra, defendendo a “América” como o continente que inclui a América Latina e os latino-americanos.
Lançado em 5 de janeiro de 2025, o álbum recebeu atenção imediata, alcançando 36,95 milhões de streams no Spotify em seu primeiro dia, mais um marco para a carreira de Benito. Seu álbum anterior, “Un Verano Sin Ti”, é o disco mais ouvido de todos os tempos na plataforma.
Para além dos números e do reconhecimento, o artista foi responsável por colocar foco internacional em Porto Rico e nos problemas enfrentados pela sua população.
A faixa “TURiSTA” é uma crítica social ao turismo na ilha.
Benito canta:
“Na minha vida você foi um turista. Você só viu o melhor de mim e não o que eu sofri.”
Já em “LO QUE LE PASO A HAWAii”, ele incentiva os porto-riquenhos a protegerem a ilha e a manterem sua identidade e cultura diante da influência dos Estados Unidos.
O refrão diz:
“Eles querem tirar o rio e também a praia, querem o meu bairro e que minha avó vá embora. Não soltem a bandeira nem esqueçam o lelolai, porque eu não quero que façam com vocês o que aconteceu com o Havaí.”
As grandes vitórias de Bad Bunny no Grammy também abrem mais espaço para outros artistas e gêneros latinos, historicamente deixados de lado em premiações do tipo.
Ao receber o prêmio, ele fez um discurso político, apoiando os imigrantes e exaltando o amor.
“Antes de agradecer a Deus, vou dizer: fora ICE”, se referindo ao serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos.
“Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas. Somos humanos e somos americanos.”
“Quero dizer às pessoas: eu sei que está difícil não odiar hoje em dia, e eu estava pensando que às vezes a gente fica contaminado.”
“Temos que ser diferentes. Se lutarmos, temos que fazer isso com amor. Nós não os odiamos. Nós amamos o nosso povo, amamos a nossa família, e é assim que devemos fazer: com amor. Não se esqueçam disso, por favor.”
“Obrigado. Obrigado, Deus, e obrigado ao Grammy.”
Sem sinais de se cansar de sua relevância, ele fará história mais uma vez na próxima semana, quando se tornará o primeiro artista a fazer uma uma apresentação totalmente em espanhol no show do intervalo do Super Bowl.