'Ninguém é ilegal em terras roubadas', dispara Billie Eilish durante Grammy
Artista usou discurso no Grammy para criticar políticas migratórias nos Estados Unidos
A cantora Billie Eilish, 24, fez um apelo por ação coletiva ao receber o Grammy de Canção do Ano, na noite de domingo (1º), em Los Angeles, em meio ao aumento das tensões políticas nos Estados Unidos.
A artista subiu ao palco da cerimônia ao lado do irmão e parceiro musical, Finneas O'Connell, e aproveitou o discurso para pedir mobilização. Billie venceu a principal categoria com a música "Wildflower".
"Por mais grata que eu me sinta, sinceramente não acho que eu precise dizer nada além de que ninguém é ilegal em terras roubadas", disparou ela ao público reunido na Crypto.com Arena.
Em seguida, a estrela acrescentou: "É muito difícil saber o que dizer e o que fazer neste momento, e eu me sinto realmente esperançosa neste ambiente. Sinto que precisamos continuar lutando, falando, protestando. As nossas vozes fazem a diferença, e as pessoas importam".
Durante a transmissão ao vivo da premiação, trechos do discurso foram abafados por censura sonora. Ainda assim, foi possível ouvir Billie endurecendo o tom com o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). "E f***-se ICE - é só isso que eu vou dizer. Desculpa."
Não é a primeira vez que a cantora se manifesta publicamente sobre as políticas de imigração do governo do presidente Donald Trump, 79. Recentemente, ao receber um prêmio por sua atuação em defesa da justiça ambiental, a artista condenou as medidas do republicano.
"Para ser sincera, eu realmente não acho que mereça isso. É muito estranho ser celebrada por trabalhar pela justiça ambiental em um momento em que ela parece mais distante do que nunca, considerando o estado do nosso país e do mundo agora".
A cantora completou com críticas à conjuntura social: "Estamos vendo nossos vizinhos sendo sequestrados, manifestantes pacíficos sendo agredidos e mortos, nossos direitos civis sendo retirados, recursos para combater a crise climática sendo cortados em favor dos combustíveis fósseis e a agropecuária destruindo o planeta, enquanto o acesso à comida e à saúde se torna um privilégio dos ricos, e não um direito humano básico para todos os americanos."