Simone Biles diz que sentiu medo de ser 'cancelada' após desistir dos Jogos Olímpicos de Tóquio

A atleta admitiu que tinha consciência de que a decisão poderia provocar forte reação pública

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Simone Biles
Simone Biles

A ginasta Simone Biles, 28, afirmou que temeu ser "cancelada" depois de decidir se retirar de uma prova durante os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. A atleta norte-americana competia pela ​e​quipe dos Estados Unidos quando ​desistiu das Olimpíadas para priorizar sua saúde.

​A ginasta mais condecorada da história​ relatou que a decisão foi tomada após perceber que seu corpo e sua mente não estavam em sintonia, o que poderia representar um risco sério na modalidade.

"Todo mundo presumiu que eu faria o que sempre fiz: seguir em frente e trazer o ouro para casa. Mas algo dentro de mim sabia que dessa vez era diferente. Muito diferente. Meu corpo estava lá, mas não estava em sintonia com a minha mente. Eu não estava bem. E, na ginástica, isso é extremamente perigoso", começou ela em entrevista à revista Stylist.

"Precisei confiar em mim mesma. Confiar na intuição que passei a vida inteira desenvolvendo. Confiar na voz que me dizia que nenhuma medalha ou reconhecimento valia a minha saúde e a minha segurança... Então, dei um passo atrás. Eu disse aos meus treinadores e colegas de equipe que não poderia continuar", relembrou.

A atleta admitiu que tinha consciência de que a decisão poderia provocar forte reação pública, já que havia grande expectativa em torno de sua participação.

"Eu tinha plena consciência de que não estava apenas decepcionando eles, mas também todo o meu país. Eu sabia da reação negativa que enfrentaria. Tive medo de ser cancelada; das manchetes, dos comentários, dos julgamentos. Mas eu também sabia de uma coisa: eu não estava decepcionando a mim mesma. Depois, percebi que isso era a coisa mais importante de todas. Mesmo sendo uma das decisões mais difíceis que já tomei, foi também a mais corajosa", pontuou.

Depois de retornar do Japão, Simone buscou acompanhamento psicológico e, posteriormente, voltou a competir. A ginasta afirmou que não se arrepende de ter dado uma pausa na carreira.

"Não vou fingir que foi fácil. Que eu não duvidei de mim mesma. Que eu não fiquei deitada na cama comendo sorvete o dia todo, rolando o feed sem parar e me perguntando quem eu era. Eu não tinha um plano para isso. Eu me sentia como se tivesse a palavra 'derrotada' tatuada na testa. Foi avassalador. Mas aqui está algo que eu gostaria de ter aprendido antes: seguir em frente a qualquer custo nem sempre é um sinal de força. Dar um passo atrás não é fraqueza. Precisei de bastante terapia e muito trabalho para entender isso. E levou tempo."