James Cameron surpreende ao opinar sobre uso da IA no cinema
Famoso por ter incorporado inovações ao longo de sua carreira de sucesso, o diretor deixou claro que vê limites éticos para a aplicação da IA no cinema
O cineasta James Cameron, 71, afirmou não ter o menor interesse em usar inteligência artificial em seus filmes e fez um alerta contra o uso da tecnologia como substituta da criatividade humana. Famoso por ter incorporado inovações ao longo de sua carreira de sucesso, o diretor deixou claro que vê limites éticos para a aplicação da IA no cinema.
"Eu não tenho interesse pessoal em recorrer a essas ferramentas, em seguir qualquer atalho que utilize tecnologia para substituir a criatividade humana", afirmou ele durante participação no Festival Internacional de Cinema da Ilha de Hainan, na China.
O diretor de "Avatar" e "Titanic" abordou a possibilidade de a tecnologia avançar a ponto de substituir atores por personagens gerados digitalmente. "Talvez seja possível substituir um ator [por um personagem generativo]. Eu digo 'talvez' entre aspas, mas eu não faria isso. Isso é algo que realmente desejamos? Isso cria aquele personagem único, fruto de duas experiências humanas singulares, a do roteirista e a do ator?", questionou.
Cameron admitiu que a inteligência artificial é útil em etapas específicas do processo cinematográfico, como otimizar rotinas de produção, mas pediu cautela por parte dos estúdios. "Podemos melhorar o fluxo de trabalho? Podemos tornar o trabalho mais eficiente? Podemos tornar o trabalho mais criativo [com IA generativa]? Acho que sim. Desde que mantenhamos um padrão muito rigoroso sobre como ela é usada, do ponto de vista ético, moral e prático", pontuou.
O cineasta deixou claro que a IA não é capaz de reproduzir a originalidade humana. "Se você tenta usar um modelo treinado em tudo, como isso pode ser único? Não pode. Ele vai entregar a mediocridade. Ele consegue fazer o comum, mas não consegue fazer o especial e o único. E também não consegue criar aquilo que nunca foi visto", afirmou. "Se você pega um modelo generativo e pede: ‘Me dê algo que pareça com Avatar’. Ótimo! Ele faz isso o dia todo - bioluminescência, criaturas voadoras. Agora, peça para esse modelo fazer isso antes de Avatar existir. Ele vai ficar em pane. Então, no fim das contas, tudo ainda volta para a criatividade humana", acrescentou.